Existem também dispositivos para equipar as máquinas de colheita que fazem um mapeamento da produtividade na parcela. No caso dos cereais as máquinas conseguem obter um mapa da parcela, no qual se identifica as zonas de produtividade permitindo assim, intervencionar especificamente em cada uma delas.
Mas estas técnicas de pouco servem se não dispusermos de equipamentos que possam realizar as operações de um modo diferenciado, em todo o ciclo.
Uma outra análise a efetuar é o fator económico, ou seja, se obtivermos um mapeamento, por exemplo com seis ou sete zonas em que seja necessário intervir, deverá ser analisado o custo de todas estas intervenções, assim como, a representatividade de cada uma delas, apostando apenas em duas ou três que justifiquem a operação.
A chamada agricultura de precisão não disponibiliza apenas a informação espacial para determinar onde e como realizar uma determinada tarefa, mas também as informações temporais para saber o quando aplicar.
Neste campo o produtor tem à sua disposição outros equipamentos, tais como, as sondas de monitorização da água no solo, que lhe permite através dos dados recebidos em tempo real, determinar o momento mais indicado para efetuar uma rega e a quantidade a aplicar.
Associados a estes equipamentos existem programas informáticos já bastante evoluídos, que nos permitem ter acesso através de um computador, tablet ou smartphone os dados da sonda (previsões meteorológicas especificas e individualizadas, registo das regas efetuadas, acesso a planos de regas para os dias seguintes, etc) em tempo real.
Qualquer uma destas técnicas abordadas estão à disposição dos produtores, adaptando-se às necessidades de cada um, consoante o tipo de culturas instaladas e os serviços pretendidos. Umas mais baratas e outras nem por isso.
E respondendo à pergunta inicial... "será que todos os produtores têm acesso a estas técnicas?"
Sim
Actualmente todos os produtores têm acesso às mais recentes técnicas ao serviço da agricultura, no entanto, a questão está sobretudo numa alteração de mentalidade e métodos de trabalho. As ferramentas existem...resta saber se todos estão dispostos a alterar as suas antigas técnicas em prol da nova tecnologia, que só lhe facilitará o seu "modus operandi" e reduzirá os custos.
Lembrando sempre que, como diz o velho ditado, "o olho do dono é que engorda o gado", também neste caso é imprescindível o acompanhamento do produtor para aferir se o que a tecnologia nos diz é realmente o que está a acontecer no campo.
André Rodrigues
Departamento de Rega da Agromais
https://www.agroportal.pt/tecnologia-ao-servico-da-agricultura-andre-rodrigues/