Água: o sangue da terra!
Num mundo de feroz
competitividade torna-se imperativo a consciencialização, de todos, para a
absoluta necessidade de preservar os recursos naturais. Por isso, os
agricultores, e as suas organizações, têm um papel decisivo na promoção de uma
agricultura sustentável que compatibilize a indispensável rentabilidade das
explorações com a proteção dos recursos mais escassos, como é o caso da água.
A AGROMAIS, como
organização de produtores de referência, tem impulsionado permanentemente a
adoção de técnicas de irrigação modernas e mais precisas que permitam caminhar
no sentido da referida sustentabilidade.
São sobejamente
conhecidas por todos as características agronómicas do Vale do Tejo: solos de
elevada capacidade produtiva e com boa disponibilidade de água. Para além
disso, acresce ainda um ingrediente fundamental: a elevada aptidão dos
agricultores para a inovação tecnológica.
Na AGROMAIS já desenvolvemos
trabalho na área da gestão da água da rega no solo desde 1999. Nessa altura, através
da aquisição de uma sonda portátil (Diviner 2000), com a análise de diversos
pontos de amostragem em diversas culturas, começamos a ter informação para
podermos ajudar a decisão do agricultor; mas o sistema era ainda muito pouco
representativo porque implicava a obtenção de dados com leitura "in loco". Presentemente
a AGROMAIS dispõe da mais recente tecnologia, aliada a uma grande experiência
de campo, tendo reforçado o seu papel, como importante aliado dos seus
produtores, na proteção dos recursos mas com grande relevância na redução de
custos.
Por sentirmos que a
sensibilidade dos produtores aumentou exponencialmente como resposta aos
sucessivos anos de seca, que têm originado uma redução do nível dos lençóis
freáticos (por nós monitorizado), e ao crescente peso do factura energética nas
contas de cultura, a AGROMAIS criou, há cerca de 3 anos, um departamento específico
para o efeito - Departamento de Gestão de Rega.
Como diz o ditado
popular "a água é o sangue da terra", por isso, a gestão da água da rega é uma
tarefa na qual podemos ser uma importante mais-valia para os nossos produtores.
De facto, trata-se de uma área que agrega um conjunto de especificidades e que
necessita de um conjunto de conhecimentos técnicos; por exemplo, é necessário contar
com diversos inputs, entre outros, com
o estado de desenvolvimento da cultura (o denominado Kc), a evapotranspiração e
a eficiência do sistema de rega.
Para além disso,
para gerir bem a água da rega, é indispensável existir uma auditoria prévia ao
sistema de rega. Esta auditoria serve para, além de outras coisas, dar-nos
conta do real desempenho do nosso sistema de rega, nomeadamente quanto à
uniformidade, à eficiência e às dotações aplicadas. Diz-nos a experiência que a
água efetivamente aplicada à cultura é quase sempre diferente da prevista
aquando da implementação dos sistemas de rega, e isso deve-se a problemas
comuns relacionados com alterações ao nível freático, entupimentos, entre
outros.
Como já referi, o
aumento dos custos energéticos na conta de cultura implica que tenhamos de ser
cada vez mais eficientes. Neste particular, na grande maioria das explorações é
possível diminuir significativamente os gastos com energia através da redução
do número de regas e do aumento da eficiência das mesmas, conduzindo cumulativamente
a um aumento da produtividade e da qualidade do produto final, como resultado
de fornecermos à planta apenas a quantidade certa de água no momento certo.
A gestão da rega é,
por tudo isto, o "motor de competitividade" das explorações agrícolas e um
importante instrumento para a sustentabilidade ambiental das mesmas.
André Rodrigues
Departamento de Rega da Agromais